Quando qualquer um - seja aonde for - estender a mão pedindo ajuda...
Quero que a mão de A. A. esteja sempre ali.
E por isto eu sou responsável.

Crescimento do Grupo Graças à Intensa Divugação

Trabalho árduo com os Outros

Na carta de outubro, vinda da Fundação do Alcoólico, e que comentamos anteriormente, há uma sugestão para que o recém formado Grupo trabalhasse firme na divulgação: "... por todos os meios, prossigam com os planos de levar Alcoólicos Anônimos ao conhecimento público. Muitos Grupos têm achado que são de grande ajuda os artigos nos jornais e não há contra-indicações quanto a isso, contando com as Tradições de A.A. - anonimato, propósito, dinheiro etc. (...) Depois de estrondosa abertura à publicidade, um grande número de Grupos tem usado anúncios pequenos informando que estão funcionando e o endereço onde maiores informações poderão ser obtidas."
Baseando-se, talvez, nessa sugestão, foi que Herb encaminhou uma carta ao Jornal O Globo. O editor ficou muito entusiasmado e o artigo apareceu na primeira página da edição de 16 de outubro de 1949.
 “Alcoolistas Anônimos - Uma Sociedade de Fins Meritórios" era o título do artigo que detalhava o funcionamento de A. A.: "Alcoólicos Anônimos é uma sociedade composta por pessoas que tendo sido bebedores inveterados conseguiram livrar-se do alcoolismo e trabalham com o intuito de se ajudarem mutuamente a se manterem sóbrios. Sendo ex bêbados não entramos em discussão com aqueles que bebem normalmente ou com os fabricantes de bebidas alcoólicas, nem somos contra essas pessoas. Não temos também, como Grupo, qualquer ligação ou filiação com determinada igreja ou organização missionária ou organização de temperança. Como ex bêbados, estendemos a nossa simpatia e auxílio a qualquer pessoa de qualquer classe social e de qualquer religião, que tenha perdido o controle sobre a bebida e que, sinceramente, queira abandonar o vício." Apesar de falar em "vício", o artigo mostrava também o aspecto "doença". Mencionava algo sobre o anonimato e o Primeiro Passo e, por fim, solicitava aos interessados que escrevessem cartas à redação do jornal, endereçadas ao núcleo brasileiro de A.A.
O artigo repercutiu e Herb respondeu cerca de dez cartas de pessoas pedindo ajuda e o jornal solicitou outroartigo.

Depois, Herb e sua esposa - que parece ter sido a redatora da maioria das cartas - noticiaram o  fato à secretária da Fundação do Alcoólico que, posterior-mente, transmitiu as boas novas a Bill W. Nesta mesma correspondência Herb demonstra preocupação em registrar a Irmandade junto ao governo brasileiro e informa ter encontrado Douglas C., com quem já havia feito algumas reuniões.
A manifestação da Fundação, através de sua secretária, Margareth Burger, foi típica de A.A. Lendo a carta de novembro de 1947 pode-se sentir a emoção com que receberam a notícia do progresso brasileiro. Foi aí também a primeira referência sobre a tradução do Livro Grande e de outros folhetos para o português e a informação de que só havia tradução para o espanhol.
Quanto ao "registro" junto ao governo, a funcionária da Fundação disse: "Discuti com Bill W. o assunto do material apropriado para submeter à apreciação do governo brasileiro. Bill acha que vocês podiam explicar às pessoas daí que A.A. não é uma incorporação, mas é simplesmente uma organização sem fins lucrativos cujo propósito primordial é o de ajudar na recuperação do portador da doença do alcoolismo, se ele o desejar. Caso vocês nos dêem o nome para contato com o governo brasileiro, a Junta de Custódios de A.A. poderá enviar a Constituição da Fundação do Alcoólico, que foi fundada para agir como uma espécie de Comitê de Serviços Gerais para Alcoólicos Anônimos".
Aqui cabe uma pausa. Nesse trecho podemos notar o que Bill W. pensava quando dizia que ele e Dr. Bob eram o elo entre os Grupos e os Custódios da Fundação. No caso desse registro brasileiro, vemos como Alcoólicos Anônimos ainda carecia de uma estrutura e como Bill W. era o consultor direto da Fundação do Alcoólico.
Voltemos aos fatos. Só em abril próximo (1948) a Fundação recebeu a resposta do casal Herb e Libby, como era chamada Elizabeth. Isso, segundo Herb, devia-se ao "tempo e trabalho árduo". Nessa época havia várias boas-novas: "... contamos com quatro brasileiros. Somos seis, se incluirmos Doug C. e eu mesmo. Esses quatro brasileiros estão abstêmios há seis meses ou mais. Nosso mais novo recruta veio através de uma carta que havíamos escrito a um pastor daqui. Trata-se de um anglo brasileiro que tem lido tudo que se relaciona com A.A. Traduziu os Doze Passos para o português, ajudou-nos a escrever um artigo para os jornais aqui do Rio de Janeiro e, no momento, está nos ajudando a traduzir um folheto de A.A."
Nessa época vários artigos já haviam sido publicados em jornais brasileiros e uma matéria foi veiculada num jornal direcionado à comunidade de língua inglesa no Brasil, o Brazil Herald. Eles também estavam com um material novo pronto para publicação, aguardando somente o número de uma caixa postal a ser usada como endereço para correspondência. Além de tudo isso, o recém formado Grupo já havia postado cerca de trinta cartas (sendo a metade em inglês) a médicos, igrejas e outras entidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Enfim, essa correspondência foi tão carregada de progressos que posteriormente a Fundação solicitou sua publicação na Grapevine.
Na correspondência seguinte, vinda da Sede, notou-se a preocupação com a tradução do folheto para o português. Assim, foi solicitado a Herb. que encaminhasse um exemplar para análise, bem como cópia de alguns dos artigos publicados nos jornais brasileiros, para apreciação e arquivo.
Nesse mesmo mês, o livrete (ou folheto) de A.A. estava quase totalmente traduzido e a Associação Cristã de Moços (ACM) emprestou uma de suas Caixas Postais a Alcoólicos Anônimos, fato noticiado de pronto à Nova Iorque.


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