Quando qualquer um - seja aonde for - estender a mão pedindo ajuda...
Quero que a mão de A. A. esteja sempre ali.
E por isto eu sou responsável.

A difícil tarefa de divulgar a Mensagem de A.A.

Um mal intencionado artigo distorce os Princípios da Irmandade


Tudo o que os iniciadores tinham feito até os idos de 1952 fora transmitir a mensagem. Herb,em 1947, fora o autor de uma matéria no jornal O Globo. A partir daí uma sucessão de "boa publicidade" aconteceu; foram várias as matérias publicadas a bem de nossa recém forjada Quinta Tradição. Por falar em Tradições, elas haviam sido aprovadas no ano anterior, em Cleveland, e os Grupos de A.A. em geral tentavam seguir esses doze pontos para assegurar o futuro de A.A. Mas como no início da história da irmandade de A.A. nos EUA, aqui no Brasil também tivemos problemas relacionados aos princípios tradicio-nais.
Uma das primeiras "desavenças" envolveu Harold num artigo que refletiu várias inverdades sobre a irmandade de A.A.: "Os Regenerados do Álcool", da Revista da Semana.
Provavelmente com finalidade meramente noticiosa ou sensacionalista, a Revista da Semana coloca aos seus leitores um "furo de reportagem" sobre "uma sociedade secreta dos antigos viciados”. Tudo começou com uma farsa.
O repórter iniciou o trabalho de "desvendar o mistério" - usando uma expressão do texto - com telefonemas a Harold W., dizendo-se bebedor inveterado e ansioso por ajuda. Prontamente, como deveria ser, o companheiro marcou um encontro no qual sua primeira pergunta foi: "Quais são os sintomas que você sente quando bebe?" A resposta o repórter comenta na matéria: "Por um instante ficamos paralisados sem saber o que responder. Da resposta que déssemos a essa insignificante pergunta, dependeria o sucesso da reportagem. Aquelas palavras, ditas à queima roupa, soavam com violência e ressonância aos nossos ouvidos. Naquele momento estava em jogo todo o trabalho de preparação, os esforços que fizemos para descobrir os responsáveis pela secreta agremiação, o assunto de suma importância para nós, enfim, tudo seria sacrificado se não respondêssemos satisfatoriamente. Havia a necessida-de de respondermos ter o malsinado vício, que éramos beberrões inveterados em busca de salvação e amparo. E foi o que fizemos, com êxito."
A partir daí todos podem imaginar o teor comercial da reportagem. O artigo foi ilustrado pela capa e contracapa do folheto branco, e pela foto de Harold almoçando, fruto de um mirabolante plano. A repercussão na Irmandade não é muito citada nos documentos que dispomos. No entanto, exatamente uma semana após a publicação, Harold escreveu ao diretor da revista consternado por ter sido ludibriado e pela quebra da Tradição do Anonimato.

Nessa carta Harold esclarece também os pontos distorcidos na revista. Discorre com detalhes sobre o princípio do anonimato, sobre nosso propósito único, a respeito da recuperação em A.A. e encerra dizendo: "Se o seu repórter tivesse comparecido e declarado sua verdadeira intenção, eu teria ajudado com o má-ximo prazer a apresentar uma reportagem que não afetasse desfavora-velmente os princípios da agremiação humilde de A.A. ou dos seus membros, nos moldes das publicadas anteriormente no Brasil por conceituadíssimos periódicos.”
O assunto da reportagem parece não ter ido muito à frente, mas provavelmente ajudou na resolução de se constituir um órgão de serviço de A.A. juridicamente, com registro em cartório.
Em dezembro daquele ano um estranho estatuto, mais as Doze Tradições, foram registrados no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Estranho porque entre as incumbências do secretário geral do Conselho estavam: "Orientar e fiscalizar todos os Grupos e seus membros, evitando qualquer ligação com outras entidades e exploração de qualquer natureza" e "Fazer cumprir as Tradições e estes estatutos."
Ainda falando em divulgação na imprensa, em 1953, o jornal A Noite, num artigo equivocado, dizia que Alcoólicos Anônimos havia sido fundada no Brasil, naqueles dias, quando o Grupo Rio de Janeiro de A.A. findava sua atividade e já contávamos com outros Grupos, dentre eles o Central do Brasil, formado em 1952. Não obstante, a divulgação continuou, inclusive no rádio. Em 1956, contávamos com cerca de treze Grupos brasileiros registrados no catálogo mundial.

 


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